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Tratar
águas com plantas
Não tenha
qualquer complexo de culpa quando utilizar as casas de banho da Quinta
Pero Vicente. Os esgotos não vão para a ribeira que passa junto à casa,
não desaguam no mar, não se infiltram nos solos. São tratados segundo
novas tecnologias, amigas do ambiente, através da acção das plantas: uma
fito-etar.
Uma
fito-etar é uma espécie de lagoa estanque (de forma a evitar infiltrações
da água poluída no solo circundante e a perda da carga nutriente) com
fundo horizontal e cerca de 0,70 m de profundidade. A montante deste tanque
(que pode ser feito com tela plástica) é construída uma estrutura de sedimentação,
onde se separa, por acção da gravidade, os líquidos dos sólidos (que podiam
colmatar o tanque). O enchimento do tanque é composto por uma camada de
gravilha de 5 cm de altura, que suporta uma camada de areia grossa (saibro
da ribeira) e terra vegetal, na qual se plantam espécies vegetais arbustivas
ou herbáceas. Estas espécies deverão ser de elevada evapo-transpiração,
de boa tolerância a águas de salinidade média e elevado teor em azoto,
que são características dos efluentes de fossas sépticas, e adaptadas
a solos de pequena espessura. O efluente da fossa séptica é admitido num
dos topos da plataforma, através de um dispositivo que permite a sua distribuição
regular. Neste sistema, as plantas (juncos, caniços, etc.) fixam vários
compostos químicos e propiciam o desenvolvimento de micro-organismos e
macroinvertebrados responsáveis pela degradação de poluentes orgânicos
e inorgânicos. Os modernos detergentes usados nas máquinas de lavar também
não são problema (antes pelo contrário), pois as plantas apreciam os fosfatos
neles contidos.
A fito-etar
tem um dispositivo de descarga de recurso, que permite reter o eventual
excesso de efluente não evapo-transpirado, para posterior utilização na
rega, já que a água residual já se encontra purificada pela acção das
plantas. Assim, em condições normais de funcionamento, não existe água
à superfície (daí não ser muito correcto chamar ao tanque estanque uma
lagoa), nem maus cheiros ou insectos nocivos. Aliás, uma fito-etar "adulta"
torna-se num biótopo complexo, onde os batráquios (rãs, por exemplo) não
desdenham fazer a sua casa.
Entre as
espécies vegetais adequadas a este tipo de estação de tratamento, contam-se:
Espécies
arbustivas:
Aucuba, Bambus sp, Calycantus floridus, Cornus alba, Cornus florida, Cornus
stolonífera, Phragmites communis, Phragmites australis, Scirpus lacustris,
Rhamus frangola, Juncus inflexus, Juncus effusus, etc.
Espécies
herbáceas:
Iris pseudocorus, Iris kaempferi, Lythum officinalis, Petasites officinalis,
Auruncus sylvester, etc.
Fontes:
"Descrição das Tecnologias Apropriadas em Águas Residuais", Direcção Geral
da Qualidade do Ambiente ; "Fito-etars: jardins que tratam esgoto", artigo
de Sandra Esteves, em Água e Ambiente, 1/12/2000
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