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fichas da flora
Medronheiro (Arbutus unedo) Árvore ou arbusto de 2 a 5 m de altura, podendo atingir os 12m. Copa arredondada e densa. Tronco revestido por casca castanho-avermelhada, fendilhada longitudinalmente, destacando-se em tiras.
O fruto, medronho, é uma baga globosa, vermelha ou alaranjada, com 2 a 2,5 cm de diâmetro. Espontânea em Portugal, existe em núcleos de vegetação antiga, velhos matagais serranos ou maciços arbóreos. Prefere solos frescos e profundos, calcáreos ou não, e clima suave sem grandes geadas. O fruto é comestível e muito apreciado para fabrico de aguardentes. A sua destilação constitui uma importante fonte de receita complementar para a população rural de Aljezur e Monchique. A infusão do fruto foi utilizada como diurético e anti-séptico das vias urinárias. A madeira de boa qualidade é utilizada para fabrico de pequenas peças de uso caseiro, constituindo também excelente lenha. As folhas e a casca do tronco são ricas em tanino. Foram utilizadas para curtimento de peles e, em medicina popular, no combate a diarreias e desinteria. Carrasqueiro (Quercus coccifera)
Ramos principais numerosos, ascendentes e muito divididos; raminhos castanho-amarelados, com tomento estrelado, ralo e caduco. Folhas perenes, oblongas a elípticas ou obovadas, dentado-espinescentes, raramente inteiras, verde-escuras na página superior e verde-amareladas na página inferior. Bolotas de maturação bienal, cúpula com escamas ovado-lanceoladas, mais ou menos imbricadas. Floração: Abril-Maio. Biscutella vicentina
É uma espécie perene, com um ou vários caules ramificados, com pêlos na parte inferior e glabros superiormente; a altura dos caules varia entre 20 e 50 centímetros. As folhas basais são obovadas, dentadas e densamente tomentosas com pêlos suaves que lhes conferem um tom esbranquiçado. As sépalas têm entre 3 e 4 mm e as pétalas vão de 5 a 7 mm. As dimensões dos frutos variam entre 6-10x1,2-17 mm. É um endemismo lusitânico que ocorre nas zonas litorais do sudoeste, em núcleos dispersos ao longo do cordão dunar. Cistus palhinae
Thymus carnosus Espécie lenhosa com ramos erectos a ascendentes que tem folhas ovadas a elípticas, glabras na página superior e tomentosas na inferior, carnudas e revolutas nas margens. Os capítulos, solitários, terminais, têm 10 a 30 mm de diâmetro. A corola é esbranquiçada e tem 4 a 5 mm. É um endemismo ibérico, que, em Portugal, ocorre nas dunas litorais, nas zonas costeiras estremenhas, alentejanas e algarvias. Thymus camphoratus Espécie lenhosa, sub-arbustiva, com ramos erectos a patentes. Brácteas largamente ovadas, avermelhadas. Capítulo solitário, terminal, com aproximadamente 18 mm de diâmetro. Cálice com dimensões entre 4 a 6 mm, com dentes superiores triangulares-assovelados, geralmente com cílios. É um endemismo lusitânico, da zona litoral e sub-litoral do sul e sudoeste que ocorre sobretudo em solos arenosos, predominantemente em formações arbustivas. Linaria algarviana Espécie com vários caules, simples, prostrados a ascendentes, que atingem até 30 cm. As folhas são alternas, pouco numerosas, de forma oblongo-linear. As flores reúnem-se em cachos com 1 a 8 flores e têm a corola com tons brancos ou amarelos e um esporão com 11 a 12 mm. As sementes são tetraédricas, negras, muito rugosas. É um endemismo lusitânico, que ocorre em clareiras de matos arrelvados, vinhas e pinhais, em solos arenosos, no sudoeste meridional. Herniaria algarvica Espécie anual, muito ramificada, com caules pequenos (5 a 10 cm), prostrados e apresentando, cada um deles, elevado número de flores. Os entrenós têm até 5 mm e são cobertos com pêlos. Apresenta estípulas agudas, ciliadas, com cerca de 1,5 mm. A forma das folhas varia de sub-orbicular a obovada-espatulada, o ápice é obtuso e são atenuadas na base. As flores são pentâmeras, subsésseis e de forma elipsoidal. Tem sépalas com formas diferentes: as interiores oblongas e as exteriores obtusas. Tem cinco estames e o estigma bilobado. É um endemismo do planalto vicentino que ocorre em terras arenosas e em arenitos da faixa costeira, com populações pulverizadas numa relativamente vasta área geográfica. Adpat SIPNAT Armeria rouyana Esta espécie apresenta caules lenhosos ramificados com ramos cobertos de folhas secas. De forma linear, as folhas são uninérveas, acuminadas, rígidas e erectas, com baínhas avermelhadas. Os escapos têm até 60 cm, ostentando, de Abril a Junho, flores de corola rosa pálido. É uma espécie endémica da bacia inferior do Tejo, do Sado e do Sudoeste costeiro setentrional, que ocorre em substratos porosos de paleo-dunas e coloniza clareiras de perturbação de mosaicos psamófilos abertos. Chaenorrhinum serpyllifolium Espécie anual, com muitos pêlos glandulosos, com caules simples, erectos e de altura inferior a 7 cm. Os segmentos do cálice são oblongo-elípticos, evidenciando pêlos longos; corola de 13 a 17 mm, de cor lilacínea com nervuras escuras, com tubo dilatado e esporão de 3 a 5 mm. Cápsula com tamanho semelhante ao do cálice, contendo sementes lisas. É um endemismo lusitânico que ocorre nos arenitos calcários das zonas litorais do sudoeste, em populações geograficamente pulverizadas e com baixos níveis demográficos. Ionopsidium acaule Espécie com rosetas basilares cujo diâmetro chega a atingir 9 cm. As folhas são arrosetadas, pecioladas e com limbo de forma elíptica a reniforme. As flores, que parecem nascer directamente da roseta, têm as pétalas violáceas, obovadas, com 2 a 4 mm. Os frutos são orbiculares. Têm 2 a 5 sementes por lóculo. É um endemismo da metade sul do litoral de Portugal que ocorre em diversos tipos de substrato, desde os solos arenosos derivados de dunas e arenitos, a solos limosos que derivam de xistos e grauvaques, ou a solos argilosos derivados tanto de calcários quanto de basaltos. Pinheiro bravo (Pinus pinaster)
Floração em Fevereiro e Março. De crescimento rápido, é utilizada para retenção de areias. Da resina extrai-se aguarrás e pez. Omnipresente em boa parte da Costa Vicentina Pinheiro manso (Pinus pinea) Atinge os 30 m de altura. Copa arredondada, ampla e densa nos jovens, umbelada (em forma de chapéu de Sol) nos exemplares de idade. Floração de Março a Maio. Espontânea, prefere solos frescos, profundos, arenosos e silicatados mas aceite os calcáreos se não forem pesados e argilosos. Tolerante ao calor e á secura, não suporta geadas fortes e continuadas. Muito resistente ao vento. Um dos mais imponentes pinhais de pinheiro manso encontra-se no concelho de Aljezur, nas dunas da Bordeira. Créditos e Links:
-José Gomes Pedro, Isabel Silva Santos, fotos de Fernando Carqueijeiro, Plantas da Arrábida-Guia de Campo, ed. ICN/Parque Natural da Arrábida, 1998 |
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